VACINAÇÃO

Comunidade quilombola de Mosqueiro recebe vacinação contra Covid-19

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Nesta segunda-feira, 8, foi a vez dos quilombolas do território da comunidade do Sucurijuquara, na ilha de Mosqueiro, distrito de Belém, receberem a vacina contra a Covid-19.

Para aguardar a vacinação muita gente acordou cedo na comunidade e se dirigiu ao salão paroquial da igreja de Nossa Senhora da Conceição para se cadastrar. “Estou muito feliz por estar presenciando esse momento histórico em nossa comunidade”, afirmou a dona de casa, Joana Batista Vale Martins, 74, enquanto esperava a chegada da vacina.

Para o território foram destinadas 554 doses da Coronavac, segundo explicou o diretor do Departamento de Ações em Saúde (DEAS), Victor Nina.

Na comunidade todos têm grau de parentesco. São avós, avôs, tios, tias, mães, pais, primos, filhos e netos das famílias Vale, Martins, Gomes e Morais, que estão sempre unidos pelos laços consangüíneos e de luta por melhorias aos acessos das políticas públicas.

Dona Maria Conceição Gomes, 67, contou que até o território ser reconhecido oficialmente, em 2014, a localidade não recebia nenhum tratamento diferenciado. “Nós não existíamos, os benefícios passavam direto da Vila de Mosqueiro para Baía do Sol; hoje, mudou. Minha filha e minha neta estão cursando faculdade como cotistas e, agora, nós temos a vacina”, festejou.

Na comunidade quilombola, os mais antigos ainda mantêm tradições como uso de remédios caseiros à base de plantas medicinais como “Pariri” e “Urupá” e as famosas “Garrafadas” que “limpam” o útero feminino, abrindo caminho para fertilidade. “Eu já fiz e faço remédios para muita gente e sei que as plantas curam”, destacou a dona de casa.

Sobre a vacina contra a Covid-19, a dúvida da comunidade era quanto aos efeitos colaterais e se as pessoas com sintomas de gripe, mulheres grávidas e lactantes poderiam ser imunizados. “Os três casos são delicados. Não recomendamos a vacinação para estes casos e também às pessoas que apresentam quadros alérgicos”, explicou Victor Nina.   

Os quilombolas do território do Sucurijuquara estão nos grupos prioritários para vacinação da Prefeitura Municipal de Belém, juntamente com os profissionais da saúde, idosos com idade acima de 85 anos, profissionais da segurança pública e índios aldeados.

Em Mosqueiro, já foram vacinados os profissionais da saúde e os idosos. Para os quilombolas, a vacinação vai atender os indivíduos a partir de 18 anos, adultos e idosos com capacidade de locomoção e acamados. Os jovens estudantes universitários Ayla Lemos, 20, e José Rodrigues, 22, destacaram a importância da vacinação. “Estamos muito honrados em receber a vacinação porque os povos quilombolas são tradicionais no Brasil e, nosso sentimento é de alívio por ficar imunizado”, afirmou Rodrigues, que é estudante de Economia na Universidade Federal do Pará.

O território quilombola da comunidade de Sucurijuquara é o único na jurisdição do município de Belém. Segundo Roberta Vale, presidente da Associação, o local foi reconhecido oficialmente em 2014 pela Fundação Cultural  Palmares, de Brasília, após um robusto estudo antropológico sobre a herança racial da comunidade, que atualmente possui 689 pessoas residentes.

Não houve óbito por Covid-19 entre os quilombolas do território da comunidade do Sucurijuquara, na ilha de Mosqueiro. De acordo com relatos da enfermeira Maria da Consolação Campos, que atua na Unidade Especializada da Saúde da Família (ESF) da localidade, o povo quilombola é saudável, sendo os pais bem zelosos em manter o calendário de vacinação das crianças em dia. A comunidade também é bem participativa e interessada quando se trata de saúde.

Fonte: Agência Belém

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